Tema 125 do TST: Estabilidade por Doença Ocupacional
A
estabilidade acidentária é uma garantia provisória de emprego prevista no art.
118 da Lei nº 8.213/1991. Tradicionalmente, sua aplicação é associada ao
afastamento superior a 15 dias e ao recebimento de benefício previdenciário de
natureza acidentária. Entretanto, o Tribunal Superior do Trabalho (TST), ao
firmar a tese do Tema 125, reconheceu que esses dois requisitos não são
indispensáveis em determinadas situações de doença ocupacional.
A decisão tem consequências importantes
para trabalhadores, empregadores, profissionais de Recursos Humanos e equipes
de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Ela reforça a necessidade de analisar o
nexo entre a doença e as atividades profissionais, sem confundir a concessão de
um benefício pelo INSS com a decisão judicial sobre a garantia de emprego.
Este artigo explica o alcance do Tema
125, os principais fundamentos legais, a função da CAT e do NTEP e o papel dos
documentos de SST. Também aborda os limites das conclusões possíveis, para
evitar que uma tese judicial seja interpretada como garantia automática de
estabilidade em qualquer situação.
1. O que é a
estabilidade acidentária?
O art. 118 da Lei nº 8.213/1991
estabelece que o segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo
prazo mínimo de 12 meses, a manutenção do contrato de trabalho após a cessação
do auxílio-doença acidentário, independentemente de receber auxílio-acidente.
O dispositivo legal não menciona
expressamente o prazo de 15 dias. A associação entre o afastamento superior a
esse período, o benefício acidentário e a estabilidade decorre da interpretação
jurisprudencial, especialmente da Súmula nº 378, item II, do TST.
Na aplicação tradicional da regra, o afastamento superior a 15 dias e a percepção do benefício acidentário são elementos relevantes. A jurisprudência, porém, já contemplava uma exceção para situações em que a doença profissional relacionada ao trabalho fosse constatada após a dispensa. O Tema 125 aprofundou essa orientação para a hipótese de doença ocupacional, conforme a tese firmada pelo Tribunal Pleno do TST.
Fonte legal: Lei nº 8.213/1991, especialmente arts. 20, 21, 22, 59, 60 e 118.
2. O que o Tema 125
do TST decidiu?
O Tema 125 foi julgado pelo Tribunal
Pleno do TST no processo RR-0020465-17.2022.5.04.0521. A questão submetida a
julgamento era saber se, para o reconhecimento da estabilidade provisória
decorrente de doença ocupacional, seria necessário que o empregado tivesse
ficado afastado por mais de 15 dias ou recebido auxílio-doença acidentário.
A tese firmada foi a seguinte:
“Para fins de garantia provisória de
emprego prevista no artigo 118 da Lei nº 8.213/1991, não é necessário o
afastamento por período superior a 15 (quinze) dias ou a percepção de
auxílio-doença acidentário, desde que reconhecido, após a cessação do contrato
de trabalho, o nexo causal ou concausal entre a doença ocupacional e as
atividades desempenhadas no curso da relação de emprego.”
O julgamento ocorreu em 25 de abril de
2025, com publicação do acórdão em 9 de maio de 2025. O registro de
acompanhamento do tema indica trânsito em julgado em 31 de maio de 2025.
O ponto central não é a eliminação de
toda exigência para a estabilidade. A tese dispensa dois requisitos formais
específicos, mas condiciona a garantia ao reconhecimento do nexo causal ou
concausal entre a doença ocupacional e as atividades realizadas durante o
contrato, após sua cessação.
Consulte a fonte primária: TST — documento oficial do Tema 125.
O que muda na
prática?
- A
ausência de afastamento superior a 15 dias não impede, por si só, o
reconhecimento da estabilidade por doença ocupacional.
- A
ausência de recebimento do benefício acidentário também não impede, por si
só, essa garantia.
- O
nexo causal ou concausal entre a doença e as atividades desempenhadas
continua sendo elemento essencial da tese.
- A
alegação de doença, isoladamente, não equivale ao reconhecimento judicial
do nexo ocupacional.
A tese se aplica
automaticamente a qualquer acidente do trabalho?
Não se deve fazer essa generalização. O
texto do Tema 125 trata expressamente de doença ocupacional. A aplicação da
tese a um acidente típico, como uma queda, um corte ou uma fratura, não pode
ser presumida apenas com base nessa redação.
Para acidentes típicos, a análise deve
considerar o art. 118 da Lei nº 8.213/1991, a Súmula nº 378 do TST, os fatos
comprovados e os demais precedentes pertinentes. A existência de uma tese sobre
doença ocupacional não autoriza concluir, sem análise jurídica, que todos os
requisitos tradicionais foram afastados para qualquer espécie de acidente.
3. Doença
ocupacional, nexo causal e concausa
A aplicação do Tema 125 depende de uma
questão probatória: a relação entre a doença e o trabalho. Para compreender
essa análise, é necessário distinguir doença profissional, doença do trabalho,
nexo causal e concausa.
Doença profissional e
doença do trabalho
O art. 20 da Lei nº 8.213/1991
diferencia doença profissional e doença do trabalho. Em termos gerais, a doença
profissional é produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a
determinada atividade, enquanto a doença do trabalho decorre das condições especiais
em que o trabalho é realizado e com ele se relaciona, observados os critérios
legais.
A lei também prevê situações que, em
regra, não são consideradas doenças do trabalho, como determinadas doenças
degenerativas, as inerentes a grupo etário e aquelas que não produzam
incapacidade laborativa, ressalvadas as hipóteses legais aplicáveis. Por isso,
a existência de um diagnóstico não basta, isoladamente, para concluir que a
doença tem natureza ocupacional.
Nexo causal
O nexo causal corresponde à relação
entre a atividade ou condição de trabalho e o adoecimento. Na discussão
judicial, a avaliação pode envolver histórico ocupacional, descrição das
tarefas, exposição a fatores de risco, documentação clínica, exames, perícia e
outros elementos pertinentes ao caso.
Concausa
A concausa é relevante quando o
trabalho não é necessariamente a causa única da doença, mas contribui para o
resultado nas condições previstas pela legislação. O art. 21, inciso I, da Lei
nº 8.213/1991 trata da equiparação ao acidente do trabalho de situações em que
o trabalho, embora não seja causa única, contribui diretamente para a morte,
redução ou perda da capacidade para o trabalho ou produção de lesão que exija
atenção médica.
Isso não significa que todo agravamento
de uma condição preexistente seja automaticamente ocupacional. A conclusão
depende das circunstâncias, da prova disponível e da aplicação dos critérios
legais e técnicos ao caso concreto.
4. Quais provas podem
ser relevantes?
Em uma discussão sobre doença
ocupacional, a prova deve ser examinada em conjunto. Nenhum documento isolado
necessariamente resolve a questão. A documentação de SST pode ajudar a
reconstruir as condições reais de trabalho, as exposições existentes, as
medidas de prevenção adotadas e a cronologia dos acontecimentos.
Entre os elementos potencialmente
relevantes estão:
- inventário
de riscos ocupacionais e plano de ação do PGR;
- avaliações
de riscos e registros das medidas preventivas;
- descrição
das atividades efetivamente realizadas pelo trabalhador;
- registros
de mudanças de função, posto, jornada ou organização do trabalho;
- documentação
do PCMSO e registros ocupacionais, respeitado o sigilo médico;
- ASO
e recomendações de saúde ocupacional pertinentes;
- CAT,
comunicações de afastamento e decisões previdenciárias;
- registros
de treinamento, orientações, manutenção, adequações e monitoramento;
- documentos
contemporâneos aos fatos, testemunhos e prova pericial, quando aplicáveis.
A existência de um PGR formalmente
preenchido não comprova, por si só, que os riscos foram efetivamente
controlados. Da mesma forma, a ausência de determinado documento não demonstra
automaticamente que o nexo existe. A análise depende da coerência entre
registros, condições reais de trabalho e demais provas.
5. CAT: comunicação
do acidente do trabalho
O art. 22 da Lei nº 8.213/1991 prevê a
comunicação do acidente do trabalho à Previdência Social até o primeiro dia
útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, sob pena de
multa. A legislação também prevê quem pode formalizar a comunicação quando a
empresa não o fizer.
A CAT tem função de comunicação e
registro. Sua emissão não representa, por si só, confissão de culpa da empresa
nem decisão definitiva sobre o nexo causal, a responsabilidade civil ou o
direito à estabilidade.
Além das situações de acidente típico,
o eSocial contempla a comunicação de doença profissional e doença do trabalho
no evento S-2210, conforme suas orientações oficiais. A necessidade de
comunicação deve ser examinada à luz da legislação e das circunstâncias
concretas; a falta de certeza definitiva sobre a responsabilidade não deve ser
confundida com autorização para ignorar uma obrigação legal de comunicação.
Quando a organização é informada pelo
médico responsável pelo PCMSO sobre as situações previstas no item 7.5.19.5 da
NR-7, a norma determina, entre outras providências, a emissão da CAT, o
afastamento da situação ou do trabalho quando necessário e a reavaliação dos
riscos ocupacionais e das medidas preventivas pertinentes no PGR.
Fontes: Lei nº 8.213/1991, art. 22; Manual Web Geral do eSocial, evento S-2210; NR-7, item 7.5.19.5.
6. NTEP e avaliação
previdenciária
O Nexo Técnico Epidemiológico
Previdenciário (NTEP) é um mecanismo utilizado na análise previdenciária para
relacionar estatisticamente a atividade econômica da empresa a determinados
agravos, observadas as regras legais e regulamentares. O art. 21-A da Lei nº
8.213/1991 trata da caracterização da natureza acidentária da incapacidade
quando constatado o nexo técnico epidemiológico nos termos da legislação.
O NTEP não deve ser interpretado como
uma declaração automática de culpa do empregador nem como decisão definitiva
sobre todas as consequências trabalhistas de um caso. A análise previdenciária
do benefício e a análise judicial da estabilidade possuem objetos próprios,
embora possam compartilhar fatos e documentos.
O Regulamento da Previdência Social,
aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, disciplina o nexo técnico e prevê
mecanismos de contestação administrativa. Os prazos, requisitos documentais e
canais aplicáveis devem ser conferidos no texto regulamentar vigente e no
procedimento administrativo pertinente, sem reproduzir automaticamente
orientações antigas vinculadas a sistemas de informação já modificados.
Para a empresa, é importante preservar
a documentação técnica produzida durante a gestão dos riscos, pois ela pode ser
relevante em procedimentos administrativos e judiciais. Isso não significa que
o PGR ou outro documento afaste, por si só, um nexo reconhecido com base em
outras provas.
Fontes: Lei nº 8.213/1991, art. 21-A; Decreto nº 3.048/1999, art. 337.
7. O papel do PGR, do
PCMSO e dos profissionais de SST
O PGR, previsto na NR-1, integra o
gerenciamento de riscos ocupacionais. O PCMSO, disciplinado pela NR-7, tem
finalidade de proteção e preservação da saúde dos empregados em relação aos
riscos ocupacionais, conforme os requisitos da norma.
Esses instrumentos têm funções
distintas e complementares. O PGR deve refletir os perigos, a avaliação dos
riscos e as medidas de prevenção. O PCMSO organiza o acompanhamento médico
ocupacional de acordo com os riscos e os requisitos aplicáveis. Os registros
precisam ser coerentes com as atividades reais, e não apenas reproduzir
descrições genéricas de cargos.
Em caso de suspeita ou constatação de
doença relacionada ao trabalho, a organização deve observar as providências
normativas pertinentes, incluindo a comunicação ao médico responsável pelo
PCMSO, a emissão da CAT quando prevista, o afastamento da situação de risco
quando necessário e a reavaliação do PGR nas hipóteses regulamentares.
O profissional de SST contribui por
meio da identificação de perigos, avaliação e controle dos riscos, registro das
condições de trabalho e acompanhamento das medidas preventivas dentro de sua
competência. O diagnóstico médico e as conclusões clínicas pertencem aos
profissionais legalmente habilitados para esses atos. A decisão sobre benefício
previdenciário compete à esfera previdenciária; a definição judicial da
estabilidade cabe ao Judiciário.
8. Quais são as consequências
para o contrato de trabalho?
Reintegração e
indenização substitutiva
Se a estabilidade for reconhecida, a
consequência depende, entre outros fatores, do período de garantia ainda estar
em curso e dos pedidos formulados. A Súmula nº 396, item I, do TST prevê que,
exaurido o período de estabilidade, são devidos os salários correspondentes ao
intervalo entre a despedida e o fim do período estabilitário, sem assegurar a
reintegração apenas com fundamento na garantia já encerrada.
Quando o período de estabilidade ainda
está em curso, a reintegração pode ser discutida conforme os fatos, os pedidos
e a decisão judicial. A análise dos valores de eventual indenização exige
verificar a data relevante para o início e o fim do período, as parcelas
abrangidas e as particularidades do processo.
Referência: Súmulas do Tribunal Superior do Trabalho.
Estabilidade
acidentária e dispensa discriminatória não são a mesma coisa
A estabilidade do art. 118 da Lei nº
8.213/1991 e a proteção contra dispensa discriminatória possuem fundamentos
diferentes. A Súmula nº 443 do TST trata da presunção de discriminação em
determinadas situações envolvendo HIV ou doença grave que suscite estigma ou
preconceito. A Lei nº 9.029/1995 também disciplina consequências jurídicas para
práticas discriminatórias nas relações de trabalho.
Não se deve concluir que toda dispensa
de empregado doente seja discriminatória. A análise depende da doença, das
circunstâncias da dispensa, das provas e dos critérios jurídicos aplicáveis. Da
mesma forma, o reconhecimento de doença ocupacional não resolve automaticamente
todas as questões relacionadas à discriminação.
Fontes: Lei nº 9.029/1995; Súmulas do TST.
Possíveis
repercussões previdenciárias e tributárias
O reconhecimento de eventos de natureza
acidentária pode repercutir em indicadores previdenciários e na análise do
Fator Acidentário de Prevenção (FAP), conforme as regras aplicáveis. O FAP é
calculado segundo metodologia própria, que considera índices de frequência,
gravidade e custo e é aplicado à alíquota correspondente nos termos da
legislação.
Não é correto afirmar que cada
reconhecimento judicial aumenta automaticamente a contribuição de uma empresa
em determinado valor. A repercussão depende da metodologia, dos dados
considerados, da classificação aplicável e do cálculo do FAP para a empresa e
sua atividade econômica.
Fontes: Lei nº 10.666/2003, art. 10; Decreto nº 3.048/1999, art. 202-A.
9. NR-1 e riscos
psicossociais: qual é a situação em outubro de 2026?
A nova redação do capítulo 1.5 da NR-1,
aprovada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, teve o início de sua vigência
prorrogado pela Portaria MTE nº 765/2025. O Ministério do Trabalho e Emprego
informa que a redação passou a vigorar em 26 de maio de 2026 e disponibiliza
orientações para aplicação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
A NR-1 inclui expressamente os fatores
de risco psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos
ocupacionais. A análise deve considerar as condições de trabalho e sua relação
com os fatores ergonômicos, sem transformar essa exigência em avaliação clínica
individual de todos os trabalhadores.
Em junho de 2026, o ministro André
Mendonça, relator da ADPF 1316 no Supremo Tribunal Federal, suspendeu por 90
dias a aplicação de multas e outras sanções administrativas ligadas aos
dispositivos questionados sobre riscos psicossociais. O Plenário referendou a
decisão em agosto. Em 24 de setembro de 2026, o relator prorrogou a suspensão
por mais 90 dias para permitir a continuidade das tratativas.
É necessário distinguir a suspensão de
sanções da vigência da norma. As informações oficiais consultadas descrevem a
suspensão de multas e outras sanções relacionadas aos dispositivos discutidos
na ADPF, e não a revogação integral da NR-1. Como se trata de controvérsia
judicial em andamento, o alcance e a duração da medida devem ser conferidos no
processo oficial antes de qualquer orientação formal.
Para fins de gestão, é prudente
continuar documentando a identificação e a avaliação dos riscos, as medidas de
prevenção e sua eficácia, sem interpretar a suspensão temporária de sanções
como autorização para abandonar o gerenciamento de riscos ocupacionais.
Fontes oficiais:
- MTE — NR-1, redação vigente e orientações.
- STF — acompanhamento processual da ADPF 1316.
- STF — Plenário confirma suspensão de sanções, agosto de
2026.
- STF — prorrogação da suspensão, 24 de setembro de 2026.
10. Três cenários
hipotéticos para compreender a aplicação da tese
Cenário A — Doença
ocupacional identificada após a dispensa
Um trabalhador realiza tarefas
repetitivas e apresenta sintomas durante o contrato, mas não fica afastado por
mais de 15 dias e não recebe benefício acidentário. Após a dispensa, uma
avaliação técnica e médica e a prova produzida no processo podem levar ao
reconhecimento de nexo entre a doença e o trabalho.
Nesse cenário hipotético, a ausência de
afastamento prolongado ou de benefício não impede, por si só, a análise da
estabilidade sob o Tema 125. O resultado, contudo, dependerá do reconhecimento
do nexo causal ou concausal e das demais circunstâncias jurídicas e
probatórias.
Cenário B — Acidente
típico com benefício acidentário
Um trabalhador sofre uma queda, é
emitida a CAT, ocorre afastamento superior a 15 dias e o INSS concede benefício
de natureza acidentária. Após a cessação do benefício, a regra tradicional do
art. 118 e a Súmula nº 378 do TST são referências centrais para analisar o
período de garantia, observados os fatos do caso.
Cenário C — Suspeita
de adoecimento associado a fatores psicossociais
Um empregado apresenta quadro de
adoecimento que pode estar relacionado à organização do trabalho. A análise
deve considerar a avaliação dos fatores de risco, as condições concretas de
trabalho, os registros de prevenção e a documentação clínica pertinente, respeitando
o sigilo médico. A existência de registros no PGR não prova nem exclui
automaticamente o nexo, que depende da análise conjunta das evidências.
11. Checklist
operacional para empresas e profissionais de SST
O checklist a seguir é uma ferramenta
de organização documental. Não substitui análise jurídica individualizada,
avaliação médica ou perícia.
- Confirmar
a descrição das atividades efetivamente executadas pelo trabalhador.
- Verificar
se o inventário de riscos e o plano de ação do PGR correspondem às
condições reais do posto.
- Identificar
medidas preventivas previstas, responsáveis, prazos e registros de
execução.
- Conferir
a documentação do PCMSO e os ASO pertinentes, respeitando o sigilo das
informações médicas.
- Verificar
se houve comunicação ao médico responsável pelo PCMSO diante de sinais de
doença relacionada ao trabalho, conforme a NR-7.
- Examinar
se a CAT é exigida nas circunstâncias e providenciar a comunicação de
acordo com a legislação.
- Conferir
os eventos aplicáveis no eSocial, incluindo o S-2210 e, quando pertinente,
o evento de afastamento.
- Registrar
alterações de função, exposição, jornada, posto de trabalho e medidas de
prevenção.
- Manter
cronologia documental com datas de sintomas comunicados, exames,
afastamentos, retornos e desligamento.
- Se
houver discussão de NTEP, consultar o procedimento administrativo e os
prazos vigentes antes de protocolar contestação.
- Encaminhar
questões sobre estabilidade, reintegração ou indenização para análise
jurídica individualizada.
12. Perguntas
frequentes
É possível ter
estabilidade sem afastamento superior a 15 dias?
Sim, em hipótese de doença ocupacional
abrangida pelo Tema 125, a ausência de afastamento superior a 15 dias não impede,
por si só, o reconhecimento da garantia. É necessário que o nexo causal ou
concausal entre a doença e as atividades seja reconhecido após a cessação do
contrato, nos termos da tese.
É necessário ter
recebido auxílio-doença acidentário?
Na hipótese abrangida pelo Tema 125, a
ausência de recebimento do benefício não impede, por si só, a estabilidade.
Isso não significa que qualquer doença alegada gere automaticamente a garantia:
o reconhecimento do nexo ocupacional continua essencial.
O Tema 125 se aplica
automaticamente a acidente típico?
Não se deve presumir essa extensão. A
tese foi formulada expressamente para doença ocupacional. Acidentes típicos
devem ser analisados com base na legislação, na Súmula nº 378 do TST e nos
precedentes pertinentes à situação concreta.
Emitir CAT significa
reconhecer culpa da empresa?
Não. A CAT é uma comunicação prevista
na legislação previdenciária. Sua emissão não equivale, por si só, a confissão
de culpa nem a decisão definitiva sobre nexo causal ou responsabilidade civil.
O PGR pode afastar o
nexo ocupacional?
Não automaticamente. O PGR pode ser uma
fonte relevante de evidências sobre os perigos identificados, a avaliação de
riscos e as medidas de prevenção. Seu valor depende da qualidade, da
contemporaneidade e da correspondência dos registros com as condições reais de
trabalho, além das demais provas do caso.
O reconhecimento de
NTEP garante estabilidade na Justiça do Trabalho?
Não necessariamente. O NTEP integra a
análise previdenciária. A estabilidade é examinada na esfera trabalhista
segundo a legislação, a jurisprudência e as provas pertinentes. Um
reconhecimento administrativo pode ser relevante, mas não substitui a análise
judicial de todos os requisitos aplicáveis.
A NR-1 sobre riscos
psicossociais foi suspensa?
As fontes oficiais consultadas informam
que o STF suspendeu e depois prorrogou a suspensão de multas e outras sanções
administrativas relacionadas aos dispositivos discutidos na ADPF 1316. Isso não
equivale à revogação integral da NR-1. Como o processo permanece sujeito a
movimentações, o alcance da medida deve ser conferido na fonte oficial.
Conclusão
O Tema 125 do TST alterou um ponto
relevante na análise da estabilidade provisória por doença ocupacional: o
afastamento superior a 15 dias e o recebimento do benefício acidentário não são
requisitos indispensáveis em todas as hipóteses. A tese exige, porém, o
reconhecimento do nexo causal ou concausal entre a doença e as atividades
desempenhadas durante o contrato.
Para trabalhadores, empregadores e
profissionais de SST, a consequência prática é a importância de analisar os
fatos e preservar documentação coerente. CAT, PGR, PCMSO, registros de
exposição e medidas preventivas podem contribuir para a reconstrução das
condições de trabalho, mas nenhum desses elementos deve ser tratado
isoladamente como prova definitiva do nexo ou de sua inexistência.
A aplicação da tese deve respeitar seus
limites, especialmente a distinção entre doença ocupacional e acidente típico.
A situação da NR-1 e das sanções relacionadas aos riscos psicossociais também
precisa ser acompanhada pelas fontes oficiais, sem confundir suspensão de
penalidades com revogação de obrigações normativas.
Em casos concretos, a conclusão depende
dos fatos, da prova e das normas aplicáveis. O acompanhamento das fontes
oficiais e a análise integrada das dimensões previdenciária, trabalhista,
médica e de SST são essenciais para evitar interpretações excessivas.
Referências oficiais
- Lei nº 8.213/1991 — benefícios previdenciários e
acidente do trabalho.
- TST — Tema 125, processo RR-0020465-17.2022.5.04.0521.
- Tribunal Superior do Trabalho — súmulas, incluindo as
de números 378, 396 e 443.
- Decreto nº 3.048/1999 — Regulamento da Previdência
Social.
- Lei nº 10.666/2003 — art. 10, FAP.
- Lei nº 9.029/1995 — práticas discriminatórias nas
relações de trabalho.
- MTE — NR-1, gerenciamento de riscos ocupacionais.
- MTE — NR-7, Programa de Controle Médico de Saúde
Ocupacional.
- eSocial — Manual Web Geral, evento S-2210.
- STF — ADPF 1316, acompanhamento processual.
- STF — confirmação da suspensão de sanções, agosto de
2026.
- STF — prorrogação da suspensão, 24 de setembro de 2026.
Nota editorial: pesquisa documental realizada em 23 de outubro de 2026. O artigo tem finalidade informativa e não substitui consulta jurídica individualizada, avaliação médica ou perícia técnica. A legislação, a jurisprudência e o andamento de processos judiciais podem ser alterados após a publicação.

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